Imprensa sempre livre

Durante todo seu mandato, e em seu último pronunciamento, Bolsonaro utilizou a televisão e a rádio para criticar a imprensa brasileira. Segundo ele, os meios de comunicação “espalharam a sensação de pavor” e “potencializaram a histeria” ao reportar a situação de crise na Itália.
Mas qual é a verdade importância da imprensa e qual é o seu papel durante essa crise?


i. A imprensa garante o direito à informação da população.
Todos nós estamos inseridos atualmente em um fluxo de informação contínua sobre a pandemia: acompanhando o avanço da doença em outros países, o lançamento de novas medidas anti-crise no Brasil e as instruções de como se proteger.

Os repórteres e suas equipes estão trabalhando incansavelmente, inclusive colocando-se em risco algumas vezes, para garantir que os números e fatos cheguem à segurança de nossas casas o quanto antes.

Sabemos que para enfrentar essa pandemia a antecipação é chave.

Ainda que as informações passadas gerem apreensão por conta de seu conteúdo, é evidente que qualquer censura ou política de assédio contra os meios de comunicação afetaria diretamente o nosso direito à informação e à verdade.

O resultado disso seria estar um cativeiro de informações viciadas e transmitidas através do filtro de opinião do presidente da república, que já deixou claro que para ele a pandemia não é mais do que “uma gripezinha”.

ii. A imprensa potencializa o alcance das políticas estatais de prevenção e mitigação da crise do COVID-19.
Pese a retórica anti-imprensa que vem sendo adotada por Jair Bolsonaro, a imprensa foi devidamente incluída na lista de atividades essenciais durante a crise provocada pelo COVID-19, junto à assistência à saúde e as atividades de defesa nacional.

A imprensa atua contra a desinformação, desmente fake news e mantém a população permanentemente atualizada, evitando um agravamento na crise de saúde.

Graças aos meios de comunicação, também, temos acesso rápido e claro sobre as novas políticas adotadas pelo governo, e sobre a real situação da pandemia.

Para enfrentar essa crise temos que enfrentar a realidade, ainda que essa seja dura.

iii. A imprensa dispensa parabenização do presidente.

A imprensa é livre e independente, e só essas condições podem garantir que essa propague a verdade. A função da imprensa não é ecoar a visão míope do presidente, mas sim multiplicar as perspectivas sobre assuntos chaves, munindo à população de argumentos na construção de sua opinião.

Os incessantes ataques da família Bolsonaro à imprensa evidenciam sua intolerância à crítica e incapacidade de prestação de contas para a sociedade.

No dia 6 de março foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos as sistemáticas violações à liberdade de expressão e os ataques à imprensa. Alguns casos apresentados foram os de Glenn Greenwald, Patrícia Campos Mello e Vera Magalhães.

Devemos apoiar a imprensa livre, que contesta dados e investiga, que traz informação atualizada e promove a ciência e a saúde da população.

Texto publicado por Marcella Ribeiro d’Ávila Lins Torres, Mestre cum laude em direitos humanos pela Univesity of Notre Dame (EUA), advogada do Programa Direitos Humanos e Ambiente da Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (regional).

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