Não dá mais para aturar as “MORDAÇAS” que nos censuram.

O espancamento da advogada Myriam Pires Benevides Gadelha pelo seu ex-companheiro, o prefeito do município de Sousa, Fábio Tyrone, é só mais um dos inúmeros casos de violência, a qual diariamente nós mulheres somos covardemente submetidas.

De acordo com um relatório sobre feminicídio publicado pelas Nações Unidas no último dia 25, revelou que, diariamente, 137 mulheres são vítimas de assassinatos, o que equivale a seis mulheres por hora, cometidos pelos seus companheiros, ex-maridos ou familiares, na grande maioria, homens com quem convivem.

Como sabemos a violência contra a mulher, se materializa de várias formas, e uma das mais corriqueiras e de difícil diagnóstico é a violência psicológica. Diariamente somos submetidas a variadas formas de desrespeito: xingamentos,  constrangimentos, insultos, manipulações e, diversas outras atitudes que ameaçam a nossa integridade física e moral.

Não é de hoje que a luta pela igualdade de direitos nos atormenta, que o pedido por equidade continua sendo ignorado e que o “amor” nos tira a vida.

No final dos anos 1980, a historiadora francesa Michelle Perrot disse que “no palco da memória, as mulheres são sombras tênues”, e de fato, em pleno século XXI, muitas de nós ainda são, e essa luta incansável é uma herança a zelar, legado das nossas primeiras feministas.

Essa luta constante deve ser o nosso karma, a sororidade deve ser a nossa arma, não dá mais para permitir que queiram nos amordaçar, censurar a nossa voz, a nossa roupa, o nosso comportamento, nos ditando o que devemos ou não fazer. É preciso acreditar que juntas somos melhores, mais fortes e menos o “sexo frágil” como passaram avida toda nos intitulando.

A convivência histórica com o machismo, com a falta de respeito seja de homens e sim, de mulheres também, muitas das vezes, nos afasta de discernir o quanto somos diariamente vítimas e violentadas, o quanto toda uma história nos apagou e nos diminuiu. Conviver com o medo, com o olhar recriminador, com a falta de empatia e de emponderamento são apenas alguns dos muitos obstáculos a que nos sujeitam no cotidiano.

É preciso reconfigurar a marcha da história para que nos respeitem e nos deem os devidos espaços sem julgamentos e/ou punições, como foi o caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, até agora sem esclarecimento e apuração dos executores, mandantes, bem como de suas exatas motivações.

Aliás, até quando seremos covardemente executadas por não compactuarmos com a política mais conveniente? Até quando teremos amordaçada a nossa voz? Até quando seremos subjugadas pela violência a que nos submetem até mesmo pela roupa que vestíamos? E até quando seremos agredidas física e verbalmente por homens que se colocam como donos das nossas vidas?

O fato é que muitas de nós são covardemente agredidas, silenciadas e assassinadas,  e não dá mais para aguentar e tolerar. É preciso que efetivamente existam políticas publicas que garantam nossa liberdade e nos deem igualdade,  e, de modo mais amplo, que assegurem a nossa existência, o nosso ir e vir neste Estado Democrático de Direito. É necessário que “nenhuma mulher solte a mão de outra mulher”.

Por Gybraiana Dias de França, em 11 de dezembro de 2018.

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