As mulheres do Projeto Público querem falar a Myriam Gadelha

“Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor.Que tem que ser vivido até a última gota.Sem nenhum medo. Não mata.”

O dia 10 de dezembro é marcado por duas datas de extrema relevância para o contexto social: aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos e também da célebre escritora Clarice Lispector. Esta nos deixou escritos que permeiam e baseiam muitas lutas pautadas nos Direitos Humanos, direitos que são constantemente violados e colocados em segundo plano por aqueles que detêm privilégios, sejam eles sociais, econômicos ou políticos.

Tendo em mente que toda violência deve ser repudiada e que as mulheres possuem um papel infindável de resistência contra toda a vulnerabilidade e agressão, nós, mulheres que constroem este Projeto Público, repudiamos os fatos ocorridos contra a Advogada Myriam Gadelha, pelo seu ex-namorado, e atual Prefeito de Sousa, Fábio Tyrone.

A violência de gênero não escolhe cor e condição social. A invisibilidade das vítimas ainda é um fato hodierno, sendo necessária uma postura de união e sororidade. Myriam representa a situação de diversas mulheres no mundo, que se calam por medo. Clarice sibila uma voz, a de que o amor deve ser vivido sem medo. É necessário pautar que as agressões físicas não são as únicas, e que há uma tentativa de deslegitimar o discurso da vítima,usando desculpas como a de legítima defesa e atribuindo características que visam diminuir a figura feminina.

Enquanto a luta não pertencer a todas, cada uma continuará refém dos riscos.

Myriam é a prova de que ser mulher é uma luta diária e que, até os homens que são conhecidos como cidadãos de bem e que deveriam defender os direitos da população, principalmente os que protegem os grupos socialmente vulneráveis, são capazes de violar direitos que com muito sacrifício foram alcançados

Por fim, Myriam não está só. A sua voz ecoa na boca de todas as mulheres. Nenhuma agressão é plausível de absolvição. A liberdade deve ser plena, tanto a de fazer ou não qualquer coisa, como a de estar livre para ser.


Por Letícia Viana, em 10 de dezembro de 2018.

Ao longo dos próximos dias, as mulheres que constroem o Projeto Público irão dividir e multiplicar este espaço de repúdio à violência e sororidade à Myriam Gadelha. No primeiro texto dElas, Gybraiana Dias França reivindica: Não dá mais para aturar as “MORDAÇAS” que nos censuram.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário!
Por favor insira seu nome aqui