POLÍTICA EXTERNA: O QUE PROPÕEM HADDAD E BOLSONARO

A Política Externa Brasileira (PEB) é a forma como o Estado Brasileiro conduz suas relações com outros Estados e os mais diversos atores internacionais. Desse modo, a política externa defendida por Fernando Haddad em seu plano de governo representa a retomada da política externa altiva e ativa dos Governos Lula (2003-2010), que, conforme o Ex-Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, não se submetia aos ditames das potências internacionais e demonstrava um ativismo na configuração do país como protagonista, de atuação global (global player), ao agir e influenciar a agenda internacional.

1. FERNANDO HADDAD (PT)

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          O plano de governo de Haddad reforça a atuação do Brasil na construção da paz, na defesa internacional dos direitos humanos e na cooperação nas mais diversas áreas, como saúde, educação, segurança alimentar e nutricional. Assim como nos governos Lula, há a demanda por negociações comerciais e coordenação políticas com os países emergentes, com destaque para a América Latina, África e Ásia. Ou seja, há a propensão ao fortalecimento da integração latino-americana, da cooperação Sul-sul (entre países do hemisfério sul) e do multilateralismo (das ações conjuntas de vários atores em determinados temas da agenda internacional).

A integração regional é vista como plataforma de inserção do país no mundo, permitindo uma maior capacidade de influenciar o meio internacional, como fortalecer o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), a União Sul-Americana (UNASUL) e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC). Já em prisma global, revigorar o Diálogo Índia, Brasil e África do Sul (IBAS) e os BRICS, que é a coordenação das políticas externas do Brasil, da Rússia, da Índia, da China e da África do Sul, bem como viabilizar a reforma o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

O plano de governo do Haddad ainda traz a necessidade de uma política nacional de defesa sólida para a projeção estratégica do Brasil no contexto internacional, com a recuperação do Política Nacional de Defesa (PND) como novo modelo desenvolvimento nacional. Há o objetivo de modernizar a estrutura nacional de defesa, aumentar o investimento e a valorização das Forças Armadas. Em suma, Haddad defende a desconstrução da política externa passiva e submissa do Governo Temer (2016-2018) e a retomada da diplomacia presidencial do Lula.

2.JAIR BOLSONARO (PSL)

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O plano de governo do Bolsonaro não traz nenhuma menção a sua futura política externa, mas alguns elementos propositivos foram observados no seu plano e em algumas declarações do candidato à presidência. Ao falar sobre Economia e abertura comercial, o presidenciável pretende facilitar o comércio internacional do Brasil como forma de promover o crescimento econômico de longo prazo. Para tanto, propõe-se a redução de muitas alíquotas de importação e das barreiras não-tarifárias, assim como a constituição de novos acordos bilaterais internacionais. De fato, o Brasil é um dos países com economia mais fechada do G-20 – Grupo das 20 principais economias do mundo – e tem potencial para aumentar a soma das importações e exportações do país, que são uma pequena parte da economia brasileira, representando cerca de 18% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017.

Em seção sobre a construção de um novo Itamaraty, há a defesa de uma política externa sem viés ideológico, com o afastamento de países considerados ditaduras e a aproximação com as democracias dos EUA, Israel, Itália e dos países latino-americanos livres de ditaduras. Fomenta-se a estruturação do Itamaraty a serviço de valores nacionalistas do povo brasileiro, o comércio exterior com países que possam agregar valor econômico e tecnológico ao país e priorizar acordos bilaterais. Nesse contexto, pressupõe-se um distanciamento e redução dos investimentos e da comercialização com a China, que hoje é o principal parceiro comercial do país.

Há uma aproximação à política externa do presidente estadunidense Trump no tocante à priorização do interesse nacional do país, a política da “América Primeiro” (America First), com revisão de acordos comerciais, alianças e compromissos. Com isso, por exemplo, houve a saída dos EUA da Parceria Transpacífica e do Acordo de Paris sobre o clima; as restrições de entrada de migrantes, principalmente mulçumanos; e as retaliações e as sobretaxas sobre as mercadorias chinesas, conformando uma verdadeira guerra fiscal com a China.

Nesse mesmo sentido, a partir de declarações do Bolsonaro, há as seguintes possibilidades de afastamento da política externa: da diplomacia Sul-Sul; dos acordos multilaterais, como o MERCOSUL, UNASUL, CELAC e BRICS; da China, como anteriormente mencionado; e também a retirada do Brasil do Acordo de Paris.

 

Portanto, ambos os candidatos defendem mudanças substanciais na política externa brasileira vigente, do Governo Temer, com a retomada da política externa altiva e ativa dos governos Lula por parte do Haddad e a construção de uma nova política externa com viés nacionalista pelo Bolsonaro.



 

 

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